Artista e integrante do movimento de preservação da manifestação, Camila leva a história da Tapuiada para escolas, instituições de ensino e novas gerações
A história da Tapuiada de Paracatu continua sendo transmitida para novas gerações por meio do trabalho de pessoas que mantêm uma relação afetiva, familiar e cultural com a manifestação.
Entre elas está Camila Gouveia Gonzaga Lobo, artista popular paracatuense que vem participando de ações de preservação, divulgação e valorização dessa importante expressão da cultura local.
A ligação de Camila com a cultura popular atravessa diferentes momentos de sua trajetória. Seu portfólio registra sua participação em apresentações da Tapuiada desde a década de 2000 e também sua presença em atividades do Movimento Negro de Paracatu. Sua atuação envolve dança, canto e a produção artesanal de figurinos típicos, aproximando sua própria história da preservação das manifestações culturais afro-brasileiras e indígenas da cidade.
Nos últimos anos, esse compromisso também passou a ocupar os espaços de educação. Em uma das ações, Camila foi convidada a participar de um evento realizado no auditório do IFTM, voltado para alunos e professores. Na ocasião, falou sobre a Tapuiada, compartilhando conhecimentos sobre a manifestação e contribuindo para que estudantes e educadores conhecessem mais de perto essa tradição paracatuense.
Outra experiência ocorreu a partir de um projeto desenvolvido pela estudante Isabela, dedicado à história da Tapuiada. Camila participou da atividade juntamente com integrantes da dança, possibilitando aos estudantes não apenas conhecerem a manifestação pela pesquisa, mas terem contato com pessoas diretamente ligadas à sua preservação.
A mãe de Camila também foi convidada a falar sobre a Tapuiada, reforçando um aspecto fundamental dessa história: a transmissão de conhecimentos entre gerações. Essa presença familiar possui relação direta com o trabalho de preservação documentado pelo coletivo Amigos da Tapuiada.
O acervo registra, por exemplo, a participação de Marilda Gouveia em ações de conservação da memória da manifestação, como exposições de indumentárias e a montagem da exposição permanente sobre a Tapuiada no Museu Histórico de Paracatu.
A atuação de Camila ganha ainda mais importância diante do esforço coletivo para manter viva uma manifestação que passou mais de duas décadas sem apresentações regulares.
O próprio portfólio dos Amigos da Tapuiada destaca que seus integrantes continuaram preservando canções, passos, coreografias, o toque das caixas e os elementos simbólicos da manifestação mesmo durante esse período.
Ao ocupar escolas, auditórios e espaços de pesquisa, Camila ajuda a transformar a memória em conhecimento compartilhado. Mais do que contar a história da Tapuiada, sua atuação cria uma ponte entre aqueles que receberam essa tradição e os jovens que agora começam a conhecê-la.
Para Camila, preservar a Tapuiada significa também permitir que crianças, estudantes, professores e pesquisadores compreendam a riqueza cultural existente dentro da própria cidade. Cada encontro, conversa e apresentação torna-se, assim, uma oportunidade de impedir que esse patrimônio permaneça apenas no passado.
A trajetória registrada em fotografias antigas e nas ações atuais revela uma continuidade: da jovem participante das manifestações culturais de Paracatu à mulher que hoje ajuda a contar, preservar e transmitir essa história.
É justamente nessa passagem de conhecimento entre gerações que a Tapuiada encontra forças para continuar viva — não somente como lembrança, mas como parte da identidade cultural de Paracatu.

